Política

Sinal de que Serra se candidatará à Presidência acalma aliados

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A sinalização mais clara do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), de que disputará a Presidência da República foi seguida do alívio de parte dos aliados do tucano, que, mesmo sabendo de sua intenção de concorrer, temiam mais desgastes com a demora no anúncio. Para eles, a indicação serve para fechar a porta para a desistência e já permite a configuração dos palanques nos Estados.

Nesta sexta-feira (19), Serra admitiu em entrevista à TV Bandeirantes que deve deixar o cargo no início de abril com vistas às eleições de outubro. Ele lidera as pesquisas de intenção de voto para o Palácio do Planalto, mas a preferida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), tem reduzido a desvantagem nas últimas sondagens.

“O momento da escolha do anúncio foi bíblico. Tudo tem seu momento certo”, disse ao UOL Notícias o líder da minoria na Câmara, Gustavo Fruet (PSDB/PR). “Isso tira a agonia de algumas pessoas. Essa definição do governador ajuda no papel de articular as alianças nos Estados, porque o eleitorado só vai prestar atenção de verdade depois da Copa do Mundo, mais adiante.”

Para Fruet, o lançamento da candidatura não demorou, ao contrário do que afirmaram nas últimas semanas aliados do PSDB. Alguns desses preferiam ver o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, como presidenciável tucano. Outros cobravam de Serra que se decidisse logo para contrabalançar a exposição de Dilma, que tem viajado pelo Brasil como candidata do presidente Lula.

“Quem se precipitou foi o governo ao lançar sua candidata. Por isso, era previsível que Dilma subisse nas pesquisas. Mas agora já começamos a entrar no debate. De um ano para cá, as pesquisas não mudaram muito além do esperado.”

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire, discorda sobre a demora do tucano. “Essa dúvida de alguns, que nunca foi minha, criava um clima distorcido, que tirava a tranquilidade. Foi criada por alguns setores até na oposição, que não se sentiam contemplados com Serra e criavam a idéia de que ele não seria candidato. Por isso, ele poderia ter se declarado antes. Mas não há problema, porque ele demonstrou firmeza em meio às pressões que sofreu”, afirmou.

Nos bastidores, membros dos partidos aliados de Serra reclamavam da falta de definição do governador desde o fim do ano passado. Alguns deles entenderam a demora como um indicativo de que o tucano não estaria seguro na disputa da Presidência contra a candidata de um governo com mais de 80% de aprovação popular. Para esses, o ex-ministro da Saúde do governo Fernando Henrique Cardoso poderia preferir uma fácil reeleição em seu Estado.

Aécio embarca
Em meio a negativas de que se candidatará a vice na chapa encabeçada por Serra, o governador mineiro conversou com interlocutores nas últimas horas para formar grupos de trabalho que ajudem o paulista em sua candidatura, disse o secretário-geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro (MG).

“Serra disse o que o partido queria ouvir. A partir deste momento o PSDB tem todas as condições de estar transmitindo ao país a confiança de ter o melhor candidato, mais preparado”, afirmou. “As especulações sobre desistência são normais em qualquer processo eleitoral. Mas a partir do momento que Aécio saiu, achamos que Serra seria o candidato. Mas o quadro só se completa com essa afirmativa dele.”

Aécio disse nesta semana que a indicação do vice na chapa tucana depende de Serra. Ele afirmou que suas prioridades continuam sendo a eleição para uma vaga no Senado e a reeleição de seu vice, Antonio Anastásia, para o Palácio da Liberdade. Na quarta-feira, o presidente do PSDB mineiro, deputado Nárcio Rodrigues, veio à sede do governo paulista para transmitir o apoio de Aécio a Serra.

Para o líder do Democratas na Câmara, deputado Paulo Bornhausen (SC), Serra é o candidato desde que Aécio desistiu da candidatura, mas a indicação reforçará o papel do governador tucano nas articulações de palanques antes mesmo do ato de 10 de abril, marcado para Brasília, onde o tucano será anunciado como candidato à Presidência da República.

“Agora é certa a ajuda maior na composição dos palanques regionais. Ele vem participando discretamente, mas participa. Agora ele vai jogar toda a sua força para fazer palanques fortes nos Estados, porque sem isso não se vence eleição para presidente. Havia quem confundisse prudência com demora. Serra foi prudente: não misturou governo e eleição, como fez o PT. Daqui para a frente, é outra etapa.”